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Jumanji: Bem-Vindo à Selva (2018) | Um novo olhar para um clássico

Imagem relacionadaTrabalhar com um filme que marcou tantas infâncias desde seu lançamento é assumir um risco e já ser aguardado com preconceito pelos fãs do original. O ditado já dizia:  “Não mexa no que está quieto”. Entretanto, uma história recontada por um novo olhar pode render bons momentos no cinema. Jumanji: Bem-vindo à Selva não se perpetua como uma obra memorável como a que lhe deu origem, mas ainda assim, cumpre bem a principal proposta de um filme de aventura: divertir. 

Os primeiros minutos de tela já apresentam o filme e trazem o primeiro elemento nostálgico, a fim de ambientar o público, sem que cause antipatia, agora que a plataforma do jogo Jumanji não é mais o tabuleiro e sim um console de videogame. O estranhamento é natural, mas ao colocar em paralelo com o que a indústria dos games se tornou, a ideia em transformar o clássico jogo em digital faz muito sentido. O que antes era estranho, agora é novidade.

Em um roteiro colaborativo de Chriks McKenna, Erik Sommers, Scott Rosenberg e Jeff Pinkner, a narrativa do filme acompanha a mesma estrutura dos games, com todos elementos que um jogo da década de 1990 possui. Jumanji: Bem-Vindo à Selva brinca com todas as particularidades que existem nos videogames, desde NPC’s às cenas de computação gráfica, sendo muito bem aproveitadas para apresentar o vilão – que se assemelha à imagem do “chefão” – a problemática que os personagens vão enfrentar e como solucioná-la. Toda e qualquer conveniência é facilmente aceita pelo contexto.

Assim, o filme se torna bastante orgânico quanto seu desenvolvimento, ainda que seus personagens sejam resumidos à estereótipos de adolescentes: o nerd, que é gamer; o jogador popular e burro; a garota bonita e popular, que é viciada em smartphone; e a garota antissocial e tímida. Aquela batida premissa de que a união precisa ser maior que todas as diferenças é um dos focos principais da trama, que se constrói a partir dos problemas de se relacionar com os mesmos. 

Porém, isso não significa que o filme se torne datado, as saídas encontradas para isso têm um bom tom de humor, e a maioria das piadas funcionam. O diretor Jake Kasdan, que já é veterano na comédia, trouxe seu estilo humorado que, aliado à boa aventura de Jumanji, funciona e garante boas risadas no cinema. Sua direção não se arrisca, trabalhando com planos bastante utilizados em filmes do gênero: planos gerais de ambientação, planos abertos médios e pouquíssimos closes. O foco é a aventura e assim ele o faz. 

O ritmo que Jumanji: Bem-vindo à Selva adota é rápido e faz o filme passar rápido. Trilha sonora de Henry Jackman nas alturas, com direito aos nostálgicos tambores tribais. Cenas de ação que prendem a atenção e empolgam. Para enfatizar isso, o elenco constrói uma química que envolve. Dwayne The Rock Johnson conquista fácil com seu carisma, assim como Kevin Hart, Jack Black e Karen Gillan, a maioria também já veteranos na comédia. O desenvolvimento dos personagens naquela situação é feito de forma simples e convincente. Com exceção do vilão, que aparece apenas quando lhe convém e possui cenas que fogem da narrativa de videogame (na qual que o filme inteiro se sustenta), apenas para soltar uma frase de efeito que não acentua nenhuma gravidade. Na verdade, o vilão pode ser esquecido durante o filme e apenas os obstáculos (as fases dos videogames) que são levados em consideração. 

Todo a analogia construída a partir da estrutura dos games dá abertura para o filme fazer alguns questionamentos, como o porquê da personagem feminina utilizar roupas curtas numa selva, enquanto os homens têm roupas funcionais. Tais pontos como estes são tocados, mas nada é feito sobre e a personagem continua com roupas curtas numa selva. Contrassenso? Talvez.

Jumanji: Bem-vindo à Selva tem tudo que um bom filme de aventura deve ter e, por este motivo, funciona e prova ao público que nem sempre devemos deixar quieto aquilo que é bom. Falhas existem, mas cinema se renova o tempo todo, com novas histórias, novos olhares, novas tecnologias e, também, com novos públicos. Dar a chance destes vivenciarem as boas histórias é o que faz esta arte ser imortal. 

Crítica: Jumanji: Bem-vindo à Selva (2018)

Um novo olhar para um clássico

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