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A Visita (2015) | Quando os pesadelos são reais

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Do diretor do recente Fragmentado (2017), filme que foi relativamente bem recebido tanto pelo público, como pela crítica, e do aclamado clássico O Sexto Sentido (1999), M. Night Shyamalan apresentou em 2015 uma obra de suspense que é, no mínimo, curiosa: A Visita. Aos amantes da Netflix, esse filme está disponível no catálogo e vale à pena dar uma olhadinha. Principalmente para aqueles que sentem uma afinidade com suspense e outras obras do diretor.

+ Fragmentado (2017) Redenção de Shyamalan

Crítica: A Visita (2015)

Quando os pesadelos são reais


O suspense conta a história de um casal de irmãos que vão passar alguns dias com seus avós, pais de sua mãe, porém eles nunca os conheceram, sequer os viram. Isso porque a mãe das crianças fugiu de casa quando ainda era muito nova com o pai delas, que abandonou toda a família alguns anos depois, gerando um grande impasse e conflito familiar. A garota, que é a mais velha do casal de filhos, pretende fazer um documentário filmando como será esses dias de férias junto ao primeiro contato com os avós.

Vale ressaltar que todo esse encontro só ocorre pelo fato da mãe dos garotos finalmente tirar férias com o padrasto das crianças, em uma viagem a dois em um cruzeiro de luxo. Como não havia ninguém para cuidar delas e as constantes pressões das mesmas por conhecerem os parentes distantes, finalmente a mãe delas cedeu, contra a sua vontade, ao antigo desejo dos filhos. Acontece que, alguns dias nas casas dos avós fazem eles repensarem sobre as razões que fizeram sua mãe sair de casa, uma vez que cada um deles apresentam comportamentos demasiadamente estranhos.

O filme guia-se em uma estética fotográfica de “handycam” de filmagem caseira, como ocorre em A Bruxa de Blair e Atividade Paranormal, valorizando uma estrutura que tenta ganhar a imersão do telespectador em enquadramentos subjetivos em “primeira pessoa” e “câmeras estacionadas”. O roteiro é bastante lento, ganhando corpo à medida que os eventos bizarros ocorrem durante o filme. Não há nada de fantástico nos efeitos, na trilha sonora ou na sonoplastia, nem na iluminação diferenciada, mas a suspensão de momentos e acontecimentos para gerar a ambientação do suspense realmente funciona de forma inteligente.  

As revelações do filme não o salvam ao ponto de ser uma obra que precisa ser assistida e difundida, mas realmente abre a cabeça para possibilidades interessantes sobre a forma como trabalhar o suspense e o antagonismo nas histórias. Infelizmente, não há muitas novidades em nenhum campo da estética fílmica, trabalhando apenas o psicológico e a subjetividade dos personagens e os seus conflitos, elementos que são constantemente abordados em outras obras do autor.

Toda a estrutura do filme e sua forma de produção tornam-o barato se comparado a outras produções do diretor, talvez fora uma chance de tentar reconquistar seu prestígio junto aos grandes estúdios cinematográficos.  O carisma e a habilidade dos atores não deixam a desejar, mas não carrega o filme nas costas como James McAvoy fez em Fragmentado.


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